terça-feira, 1 de abril de 2014

Target: Refineries & Decision: Buy!

Antes de tudo, é importante caracterizar a indústria da energia. A procura global de energia vai crescer cerca de 52% ao longo do período 2010-2035 e é claro que o petróleo continuará a ser a maior fonte de energia, embora a sua quota global diminua de 33% para 27%.

A indústria do petróleo está dividida normalmente em 3 grandes áreas: upstream, midstream e downstream.

  • Upstream - Este sector inclui a procura subterrânea ou subaquática de petróleo bruto, perfuração de poços de exploração.
  • Midstream - Este sector envolve o transporte (por gasoduto, por transporte ferroviário, por barge ou por caminhão), armazenamento e comercialização por grosso de petróleo bruto ou produtos petrolíferos refinados.
  • Downstream - Este sector refere-se à refinação de petróleo bruto (crude oil) bem como a comercialização e distribuição de produtos derivados de petróleo (oil products). O setor de downstream afecta os consumidores através de produtos como: gasolina, querosene de aviação, gasóleo ou produtos petroquímicos.


Focando agora no título do post, a Royal Dutch Shell ao longo do tempo tem vindo a redefinir o seu portfólio tendo já alienado alguns activos que detinha na Europa (Reino Unido, Espanha, Alemanha, França, etc…) com o objetivo de melhorar a sua competitividade, disse a Shell em comunicado à BBC. No final de Fevereiro, a Royal Dutch Shell alienou ao Grupo Vitol a sua refinaria de Geelong (Austrália) com 870 postos de combustível por 2.6 bilhões de dólares.

Ora, o grupo Vitol foi fundado em 1966 em Roterdão (Holanda) e é uma empresa multinacional de commodities trading. O seu portfólio inclui principalmente crude oil and oil products. Depois desta transacção, Vitol group’s CEO (Ian Taylor) concedeu uma entrevista onde referiu que a tendência de compra de refinarias de grandes companhias de petróleo por trading firms se irá manter!

Ian Taylor acrescenta que haverá mais oportunidades de compra no sector da indústria “downstream” pois estas empresas a jusante têm cada vez menos capital e têm sido pressionadas pelos seus acionistas para se concentrem em investimentos mais rentáveis, especialmente na exploração e produção de petróleo e gás.

Trading firms de capital fechado (Vitol Group) são capazes de valorizar os activos industriais de forma diferente do que as empresas produtoras de petróleo de capital aberto; elas valorizam as refinarias não só do ponto de vista operacional mas também em termos “optionality” que eles trazem para o seu negócio de trading. Estes activos adquiridos dão aos traders mais opções ao transacionar petróleo e produtos de petróleo.

Esta onda de investimento em refinarias por parte de trading houses (Glencore, Gunvor, Trafigura, etc..) tem como objetivo o controlo da cadeia de abastecimento (supply chain) de recursos naturais e também uma estratégia de diversificação das tradicionais operações de trading. 

Porquê o controlo da supply chain

Porque, como referido anteriormente, as grandes empresas de petróleo estão a deslocalizar o seu investimento para áreas mais rentáveis. Inclusive, a Royal Dutch Shell tenciona desfazer de US $15 bilhões em activos entre 2014 e 2015; a Chevron também está a desinvestir alguns activos mas não ao mesmo nível da Royal Dutch Shell.

A figura abaixo mostra a evolução de aquisições de refinarias:



Fontes:
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/energia/detalhe/shell_vende_negocio_na_australia_por_26_mil_milhoes.html
http://www.ft.com/intl/cms/s/0/ca22ca16-9a8a-11e3-8e06-00144feab7de.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Downstream_(petroleum_industry)

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Quando dois gráficos dizem tudo...


O Facebook no passado dia 19 comprou a aplicação WhatsApp por 11.7 mil milhões de euros, sendo que cerca de 3 mil milhões de euros é em dinheiro e 8.7 mil milhões de euros em acções. É desta maneira afixado um novo record no que respeita ao montante despendido para adquirir uma startup com sede em Silicon Valley.

Zuckerberg afirma que este negócio permitirá "acelerar a capacidade do Facebook trazer conectividade para o mundo". Uma das questões que se coloca é se a WhatsApp vale realmente este montante mas não entrando por aí, fico-me pelos números:
  • 450 milhões de utilizadores por mês
  • 53 biliões de mensagens trocadas todos os dias



Fonte:
http://www.publico.pt/economia/noticia/facebook-compra-whatsapp-por-19-mil-milhoes-de-dolares-1624462#/0

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Esperar para vêr!

De acordo com o Banco de Espanha, Espanha evidenciou alguns sinais de melhoria na economia ao longo do último trimestre de 2013 e a expectativa é que assim continue no ano de 2014. Já em Setembro Olli Rehn (comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários) afirmou que Espanha tinha corrigido os seus desequilíbrios económicos.

Mas quais são estes sinais?

Consumo Privado: a confiança dos consumidores não se alterou enquanto a confiança dos investidores cresceu. No entanto as vendas domésticas das grandes empresas diminuíram.

Investimento empresarial: o Banco de Espanha afirma que parece haver um aumento de investimento empresarial tendo em conta a melhoria dos indicadores de opinião. No entanto constatam uma queda da produção industrial.

Mercado laboral: o Banco de Espanha afirma que há uma queda de número de desempregados registados nos centros de emprego. Apesar de ser assustador, a taxa de desemprego está nos 26%.

Exportações & Importações: nos primeiros 10 meses do ano, as exportações espanholas cresceram 6.2% enquanto as importações diminuíram 2%, no entanto a balança comercial ainda é negativa (-12.366,2 milhões de euros).

É sempre preferível uma boa noticia a uma má noticia, por muito que ela seja pequena. Considero que o crescimento das exportações é um excelente sinal pois acredito que este é o motor da retoma tanto para Espanha como para Portugal. No entanto, a queda da produção industrial e o elevado número de desempregados mostra que isto é pouco.



Visto também como um bom sinal, parece que a economia espanhola “voltou” a ser do interesse de investidores estrangeiros. Mais concretamente, refiro-me ao acordo entre a mexicana Sigma Alimentos e a holding chinesa Shuanghui para controlarem em conjunto a empresa espanhola Campofrio. Uma vez mais, vejo isto mais como um bom negócio/investimento do que um sinal generalizador. No entanto, é sempre melhor uma pequena notícia do que uma má notícia!


Fontes: